sábado, 17 de janeiro de 2026

 

Uma lembrança feliz

Há cerca de dois anos, durante um curso sobre como falar em público, o professor nos propôs um exercício simples, mas profundamente revelador: Voltar, em pensamento, a um lugar onde tivéssemos nos sentido verdadeiramente bem, inteiros, em paz.

Naquele instante, percebi algo em mim. Havia tempos que eu não me sentia completa. Uma sensação silenciosa de ausência, como se algo precioso estivesse faltando dentro de mim. Respirei fundo e permiti que a memória me conduzisse, com delicadeza, até um tempo em que a alma repousava segura.

Sim, minha vida foi marcada por muitas conquistas — o primeiro emprego, o casamento, a formatura em Direito, os filhos. São capítulos importantes, cheios de significado. Mas eu buscava algo anterior às dores, um tempo em que o coração ainda não conhecia o peso dos traumas. Buscava um lugar onde Deus caminhava comigo de forma leve, quase imperceptível, mas constante.

E então cheguei ali.

Voltei nos anos 80, naqueles dias em que passei no vestibular de Matemática para estudar no MIT/GV. Lembro-me do espanto e da gratidão. Aquela faculdade, que aos meus olhos parecia inalcançável naquele momento, tornou-se possível... O primeiro emprego veio, e com ele a possibilidade de iniciar aquele sonho cuidadosamente conduzido por Deus. Parecia que tudo se encaixava.

Caminhava pelo pátio como quem pisa em terra abençoada. Observava o chão, o verde, as plantas, as flores. Subia as escadas ao som das vozes jovens, alegres, cheias de esperança. Ali, todos carregavam sonhos — e, de alguma forma, todos começavam a realizá-los. Eu também.

Naqueles dias, não havia medo. Nada doía. Nada me exigia além do que eu podia oferecer. A vida parecia sorrir com suavidade. Tudo era calmo, tudo era leve, tudo era bom, tudo era pleno. Me sentia como se Deus estivesse ali, em silêncio, confirmando: está tudo certo.

Eu estava feliz. Livre. Inteira. E, sobretudo, agradecida.
Hoje compreendo que aquele lugar não era apenas físico. Era um estado de espírito. Um tempo em que minha alma descansava sob o cuidado de Deus. Tudo estava perfeito.

É esse estado que desejo preservar. Voltar a ele sempre que possível. Permanecer no presente, mas ali naquele estado de espírito, com fé, gratidão e confiança. Porque, mesmo quando a vida muda, Deus permanece.


💭 Para reflexão

Às vezes, voltar a uma lembrança feliz não é nostalgia — é reencontro. É lembrar quem fomos quando a fé ainda era simples, o coração leve e a esperança natural. Talvez esse seja o convite de hoje: descansar por um instante onde Deus já nos fez inteiros.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026


 MULHER EM RECONFIGURAÇÃO.

ESCREVO COMO QUEM ORA.
Cada palavra nasce daquilo que vivi, sobrevivi e confiei.
Minha história começa no interior, onde a vida tinha cheiro de pão quente e o tempo parecia mais lento. Filha de comerciante, cresci entre balcões e silêncios, sem compreender o mundo, mas sentindo-o por inteiro.
Deus já me ensinava ali, no simples, que nada acontece sem propósito. Quando parti para a cidade grande, levei comigo uma menina assustada e um coração cheio de esperança.
Lutei pelo primeiro emprego e o alcancei por meio de concurso público. Não foi acaso, foi cuidado. Trabalhei, aprendi, fiz amigos que se tornaram abrigo.
Fundei um grupo de jovens e descobri que servir também é amar.
Deus me conduzia, mesmo quando eu não percebia. Mais adiante, outro chamado. Um novo concurso, o Serviço Público Federal, e anos de entrega silenciosa. Caminhei com responsabilidade, cresci em conhecimento e humanidade, até o tempo da aposentadoria chegar.
Mas Deus não encerra histórias — Ele as transforma. Recomecei como advogada previdenciária e compreendi que meu trabalho era, na verdade, missão: ajudar pessoas a se organizarem, a entenderem seus caminhos e a resgatarem dignidade.
Então veio a noite mais escura. A partida da minha filhinha amada rasgou minha alma. Atravessei um deserto onde não havia respostas, apenas fé. E foi ali, no chão da dor, que Deus me sustentou nos braços, quando eu já não conseguia caminhar.
Chorei, calei, esperei. E Ele permaneceu. Hoje, levanto-me devagar, com reverência pela vida.
Estudo psicanálise para compreender minhas próprias profundezas. Até as feridas podem ser lugar de encontro com Deus.
Houve uma reconfiguração em mim: não perdi a fé, ela me refez. Me sinto jovem, sem negar o que fui.
Sinto-me como alguém que recomeça aos 18 anos, cheia de sonhos e expectativas, mas agora com a maturidade de quem sabe que o controle nunca esteve em suas mãos.
Está nas d’Ele. Caminho com os pés no chão, o coração aberto e a certeza serena de que Deus está no comando. E isso me basta.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

 

LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA...


Fugindo de pensamentos que me trazem tristeza, em um domingo à tarde. Sem meus filhos por perto, meu marido descansando no quarto, volto ao meu tempo de criança... Onde nossos dilemas eram simples e nossos anseios eram crescer e sair daquele pequeno mundo infantil...

Minha mãe é que fazia nossas roupas em uma máquina manual de costura daquelas antigas, uma máquina que ganhara de sua sogra, nossa avó, que chamávamos carinhosamente de dindinha Nega. A chamávamos assim, acompanhando nossa irmã mais velha, a Neném... Porque nossa avó era madrinha de batismo dela. Uau! Quanta explicação! rsrsrs

A mamãe fez um vestido para mim, em um tecido leve, com bastante caimento, azul de bolinhas brancas... Para enfeitar ela colocou um grande babado do mesmo tecido de maneira transversal, do ombro direito até a cintura do lado esquerdo... Uau! Meu Deus o que era aquilo?!...

Mas como minha mãe dizia, que eu era uma criança muito tranquila, muito boazinha, não reclamava, não argumentava, aceitava tudo o que me davam... Só Deus sabe o que se passava dentro de mim... Uma tristeza profunda, uma vontade enorme de crescer depressa e sair daquele mundinho que eu havia construído para mim, ou melhor, que a vida me dera. Eu era uma sonhadora... E queria muito mais do que era me apresentado.

Eu não falava para minha mãe que eu não gostava do vestido. Achava o vestido horroroso... por causa do babado. E minha mãe quase sempre queria que eu fosse com aquele vestido para a escola. Era um caos para mim...

Eu, obediente ia sem reclamar, colocava minha pasta onde carregava os cadernos à frente escondendo o babado e ia para a escola, quando voltava fazia do mesmo jeito... e assim ocorria toda vez que eu colocava o bendito vestido... Creio que ao chegar em casa tirava aquele vestido rápido... rsrsrs

Mas mãe percebe tudo... A gente pensa que não!

Eu voltando da escola, com a pasta à frente rsrsrs, e minha mãe à porta da casa me esperando chegar...

Ela me perguntou se eu estava escondendo o lindo enfeite que havia colocado no meu vestido, balancei a cabeça afirmativamente... Ela olhou para mim com ternura, e falou: Mas ele é tão lindo! Porque você não falou, eu teria retirado ele! Me elogiou muito, que eu era uma criança muito boa, blá blá blá... E retirou o babado... Ai que alívio!..

Foi quando eu passei a usar o vestido com alegria, sem precisar esconder...

Sempre falo... Criança sofre, principalmente crianças da minha época... rsrsrs

Hoje são lembranças, que nos fazem rir e esquecer um pouco a realidade e feridas de adultos...

Em uma tarde de domingo.

 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

 

PESSOAS QUE PASSARAM POR MIM E QUE DEIXARAM SUAS MARCAS PELOS DETALHES... AMO!

Hoje, passeando pelos meus textos narrados, deparei com este, que escrevi em 29 de outubro de 2013... Uau! Quanto tempo se passou! Foi a minha percepção daquela época... Mas que ainda continua viva. Claro! Poderia acrescentar muitas pessoas aqui... Na verdade adaptei um pouco...
Falava sobre pessoas que passaram por minha vida e que deixaram suas marcas... Nunca me esqueci dessas pessoas... Umas permaneceram, outros passaram, mas deixaram muito de si e são super importantes em minha trajetória.

Postagem de 29/10/2013.

Eu sempre acho que é necessário aparecer... De alguma forma.
Não no sentido de gostar de se mostrar ou querer ser melhor que o outro... Não! Mil vezes não!...
Mas naquele sentido de não ser somente mais um no meio da multidão. Um rosto invisível, um olhar perdido, sem brilho, uma pessoa transparente... Isso não, de jeito nenhum!...

O que é isso?!... Você passar aqui nesta terra sem dar o seu ar da graça!... Que graça tem isto?!...
Sou daquela política de que algo em você tem que ficar registrado, de alguma maneira. A sua marca pessoal. A sua presença tem que ser forte e marcante. Sim esta tem que ficar.
Partindo do princípio que nosso ser aqui na terra é único. Não temos cópia. Não somos xerox de ninguém... Então algo em nós tem que ser único também. Como assim?!... Sim temos que ser especiais em alguma coisa...

Não justifica você lutar tanto para chegar a este mundo... Passar tantas intempéries pela sobrevivência, ter que lutar contra tudo o que se opõe a você e tudo que tenta te impedir de caminhar... E continuar sendo só mais um rosto perdido na multidão...
Temos que buscar aquele “que” que é só nosso. Primeiro por dentro de verdade e com sinceridade e depois por fora...

Conheço pessoas que passaram pelo meu caminho e que não me esqueço, apenas por causa daquele sorrisão aberto, dado com vontade. (Eridélcia).
Lembro-me de pessoas que cruzaram o meu caminho, com aquela delicadeza ao falar, aquela maneira educada de ser. “Há! Como é lindo a pessoa saber se comportar dessa maneira!” pensava eu... (Gisele).

Daquela pessoa, educada, meiga, sincera, alinhada, olhar direto, aquele jeito de portuguesa... "style perfect lady". (Rosária).
Lembro-me de outras que passaram por mim, pela alegria que transmitiam a cada encontro... (Alcione, Luiza, Betinha, Marinalva).
Lembro-me daquela menina com o rosto lindo, sorriso puro, um jeitinho verdadeiro e que arrastava os olhares de quase todos os rapazes do bairro com aquele jeitinho fofo de ser. E eu a achava tão bonitinha também...(Sueli).

Recordo de outras que nunca se esqueceram me parabenizar em meus aniversários, mesmo que muitas vezes esqueci os dela. Dá para esquecer uma pessoa assim?!... (Jaqueline).
Lembro-me de outras que permaneceram comigo em momentos difíceis... Tem como não lembrar?!... (Gildésia, Erika).

Lembro-me de pessoas pela maneira extravagante de ser, de se vestir... É o jeito dela, sua marca... E era linda daquele jeito! (...).

Outras que ao chegar ao trabalho, cumprimentavam com aquele BOM DIAAA! Sempre... Mesmo que muitos nem respondiam... Era um bom dia tão alegre que me contagiava... E a gente pouco se falava... (Cristina).

Nunca me esqueci do amigo de verdade, que chegou fazer pacto de fidelidade ao tempo de amizade. Acontecesse o que acontecesse, daquele tempo e daquela amizade nunca iam se esquecer. (Edmundo).

Outros que chegavam em casa de manhãzinha em pleno domingo para me acordar, somente para conversar e programar reunião do grupo jovem. Com muito sono ainda, virava para o outro lado, queria dormir mais um pouco... ouvia sua conversa que vinha da cozinha, com minha mãe "Ei dona Maria, cadê a Cidinha"?... Queria ficar um pouco mais na cama... Mas não aguentava, sua conversa me contagiava, levantava, e sempre era uma alegria. (Josué).

E aquele que sempre tocava no violão, a minha música preferida... Tocava todas que eu pedia, e ainda falava: Eu toco só para a Cidinha! Eu quase não cabia em mim rsrsr...Tem como esquecer?... (Taquinho).

Outras que se encontravam num mesmo trajeto por muitas vezes. E apesar de nunca terem se falado, porém os olhares diretos e amigáveis nos diziam que eram conhecidas de longos anos. Depois de um grande lapso temporal, ao encontrar novamente cumprimentaram-se como se amigos houvessem sido... (nunca fiquei sabendo o nome).

Daquelas que não mediam esforços para promover encontros dos amigos e colegas de trabalho, após longos anos distantes... Somente para viver a alegria do reencontro... (Pretinha).

E, em um encontro desses, lembramos daquele novo colega de trabalho que chegou arrasando corações. Tipo, moreno, alto, bonito e muitíssimo educado. Isto nos anos 80. Ele não sabia desse episódio, que ele "arrancava suspiros". E todos cairam na gargalhada... (Heraldo).

E daquele que tinha uma presença de espírito tão grande. Era tão alegre, que contagiava todos que estavam ao redor. (Dalvimar).
E daquela pessoa que sempre fazia o que você queria. Estava sempre disposto a agradar. Sendo somente grande amigo. Dá para esquecer? (Itamar).

E meu grande amigo que quando eu estava atrasada para chegar ao trabalho... Passava em sua casa, o acordava e pedia para me levar... Eu não me constrangia em pedir esse favor. Ele se levantava às pressas, pegava sua moto e me levava... Pessoa que marcou profundamente minha vida... (Rawson)

E aquele amigo que me incentivou a fazer o vestibular de Direito e ainda emprestou o valor da inscrição... Não tem como esquecer desta pessoa... (Máderson).

Lembro-me que uma vez estava em meu trabalho, eu tinha mais ou menos dezoito anos, adentrou um rapaz que eu pouco conhecia com um pequeno buquê de flores silvestres. Entregou-me, dizendo "são para você!"... Não tive tempo nem de agradecer o gesto simples e único, pois saiu rápido e nunca mais o vi... Não me esqueci desse episódio. Achei lindo!... E amei receber aquelas flores... (fiquei sabendo mais tarde, que o nome dele é Serafim).

Eh! É bem assim as pessoas que deixam suas marcas... De um jeito ou de outro... Na simplicidade ou na extravagância... Do seu jeito. Um jeito singular, só seu... Pessoas que a gente não esquece...
E assim também, vamos deixando a nossa...

Outras, porém, sentaram-se ao nosso lado, caminharam no mesmo caminho, trabalharam no mesmo lugar e não sabemos quem são...
Mas ainda assim, fica um pouquinho...


domingo, 5 de outubro de 2025

 


CINDINHA, VOCÊ É ESCRITORA?

Não sou escritora de profissão... Mas sou escritora de coração...

Daquilo que envolve minha alma, daquilo que enche os meus pensamentos e sentimentos... Das coisas vividas, das palavras não ditas, dos abraços não dados... Dos segredos não revelados; dos amores não correspondidos... Das alegrias e traumas da infância... Dos medos, das inseguranças e dos fracassos sofridos... Mas também, das alegrias e das vitórias conquistadas; das vidas entregues em minhas mãos, para ser cuidadas...

De tudo que ficou dentro de mim e que por um motivo ou outro estava escondido. Sim, foi deixado lá...

Agora lembrei de uma música de Oswaldo Montenegro, pertinente a este momento.

 Um trechinho da música: A Lista:

“Quantos mistérios que você sondava

Quantos você conseguiu entender?

Quantos segredos que você guardava

Hoje são bobos ninguém quer saber.”

HÁ,há,há... Hoje ninguém quer saber daquele segredo seu... Uau!

Sim. Quantos mistérios na caminhada, quantos segredos guardados... E o tempo passou... Envelheceu e deixou de ser mistério, deixou de ser segredo, passaram a ser história... Você descobriu que não era tanto mistério assim e que os segredos eram tão simples, que hoje são bobos e ninguém quer saber, como bem fala Oswaldo Montenegro. Rsrsrs... São apenas motivos para rir de nós mesmas... De gargalhar de nossos "segredos".  

Que vida linda! Tudo muda com o tempo! Tudo fica tão simples e tão fácil de se resolver...

Sim, gosto de escrever... Traz uma leveza na alma, traz uma cura emocional... Alarga a caminhada. Me mostra que a vida tem sua cor e beleza... Às vezes bem colorida e às vezes cinza e branco... Não deixando de ser vida, no entanto!

Começo a escrever meio triste e termino com um sorriso no rosto. Uma satisfação incrível em perceber tudo tão simples e perfeito... Tudo como uma engrenagem bem alinhada... Se moldando no tempo e no espaço.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

MEU PAI...

"Orem ao grande Pai por seu Pai... Às vezes ele não sabe ou não soube da grandeza de sua missão aqui na terra mas a executa mesmo sem saber... Toda uma geração receberá aquilo que foi designado por Deus o nosso grande Pai, nosso provedor de tudo em todos ..."
Estas palavras acima, foram escritas por meu irmão, no grupo da família, hoje... Palavras sábias.

Pois é...
Estávamos conversando sobre nosso pai, José Vicente para uns, José padeiro para outros... e José Claudino para nós, os filhos. Homem com a cara de bravo, sem diálogo com a família, muitas vezes falava aos gritos... Homem de pouca conversa. Mas, de vez em quando conversava manso e sorria... Falava sobre histórias da vida e até contava algumas piadas...

Descobrimos tanta coisa linda, que estava diante de nossos olhos e não percebíamos...

A gente passou a vida toda focando nos problemas familiares...
Nosso pai era daqueles homens que não sabiam demonstrar sentimentos... Penso que muitas vezes deve ter chorado sozinho... Por ter que ser aquele homem forte, que precisava dar conta de oito filhos em uma época tão difícil para quase todos...

Focamos nos gritos, na falta de diálogo, nos problemas entre o casal, pai e mãe...
E esquecemos do sacrifício para dar o sustento e estudo para os filhos; era o que ele achava muito importante para nós... Onde sem condições, e ouvindo de amigos que filho de pobre não precisava estudar... Mas teimando mandou meus irmãos mais velhos para Itambacuri, na casa de seus pais, para fazer o segundo grau, pois em nossa cidade só tinha até a oitava série... Meu pai era ESFORÇADO.

Quando chegou na época dos demais continuarem, ele precisou deixar tudo e sua estabilidade como um grande comerciante, dono de uma bela padaria, e se mudar com toda a família para Governador Valadares... Começando tudo de novo. Onde deu a primeira estrutura para que todos os filhos continuassem a trajetória...

Hoje lembramos de que ele todo mês comprava uma revista Pais e Filhos, uma revista Manchete e todo ano ele adquiria um Almanaque Abril, onde continha conhecimentos gerais... Sem uma palavra, ele nos deu educação e as condições necessárias, para fazer nossos trabalhos escolares... A gente cortava aquelas lindas gravuras das revistas, para fazer cartazes e trabalhos escolares, dias das mães, dia dos pais etc...
Lembro que muitos colegas iam em nossa casa para fazer os trabalhos. A gente tinha muito material. Ele não se importava da gente recortar...

Meu pai sem dizer nada comprou uma máquina de escrever (datilografia), comprou também um manual que ensinava a datilografar... "asdfg", quem se lembra?...
E para que pudéssemos fazer os nossos trabalhos escolares. Naquela época em que essas máquinas, somente eram vistas em locais de escritórios e em serviços públicos. A gente tinha a nossa própria máquina. Meu pai era um VISIONÁRIO.

Já vi meu pai saindo de bicicleta para vender algumas coisas que havia sobrado do seu comércio, para pagar uma mensalidade escolar de minha irmã... Depois o vi vendendo a máquina de escrever para pagar outra mensalidade da mesma irmã que estudava no ETEIT. Meu pai fez muita coisa por nós e a gente não via... Ele nos AMAVA...

Ao separar de minha mãe, ele vendeu nossa casa, e sem necessidade de advogado, pegou todo o dinheiro, dividiu em duas partes iguais, ficou com uma e entregou a outra parte para minha mãe, que investiu imediatamente em outra casa para nós. E com sua parte, adquiriu uma casa pequena em um lugar distante... Ele a aumentou, pegando areia no rio, fazendo tijolos de blocos de cimento para construir parte da casa... Ele sempre contava isto com alegria, e eu sentia orgulho dele... Meu pai sempre recomeçava.. Ele ACREDITAVA.

Por onde ele passava, ele próprio construia o forno de tijolinhos, para assar suas massas... pães, bolos, bolachas, tarecos, pudins... e tudo com uma criatividade incrível... Fazia pães em formatos diversos: Jacarés, cobra, peixe. Ele era um ARTISTA.

Foi dono de um time em Virgolândia... Ramalhete Esporte Clube... Tinha em nossa casa, um quarto, onde ele guardava material esportivo... Quatro jogos de camisa de futebol, meiões, tinha até uma rede de volei, tinha várias bolas, de futebol, de volei... Meu pai era um DESPORTISTA...

Já o vi acompanhando um amigo bem mais jovem que ele, e como crianças, destruíram uma casa de maribondo... Aiaiai, quase toda a população foi picada pelos bichinhos... foi uma algazarra só... Soltaram balões a gaz... Isto na década de 70... Meu pai era DIVERTIDO também, e gostava de brincadeiras como uma CRIANÇA.

Mas foram tantas coisas que a gente lembrou que ele fazia... Que achamos injusto, focar em coisas negativas e por apenas não saber se expressar... Ele sabia SER.

Ele falava com as atitudes... Ensinava sem dizer palavras... Amava sem se expressar... Cumpriu sua missão de pai...

Hoje sabemos que nosso pai foi um grande homem...
Ah! se ele estivesse aqui hoje, para a gente falar sobre todas essas coisas... Conhecê-lo mais de perto.... Poder abraçar e dizer que o AMAMOS MUITO!...

GRANDE ZÉ VICENTE... JOSÉ NOS ENSINOU TUDO, JUNTO COM NOSSA MÃE, MARIA!

sábado, 26 de julho de 2025

 


HOJE EU GOSTARIA DE FAZER UMA LEITURA...


Daquelas leituras que me levavam a viver uma vida onde os olhos marejavam, não de tristeza... mas, de emoção; me faziam sorrir baixinho me entretendo com o que lia... Aguçava a imaginação e entrava nos personagens... Fazia parte daquela história.

Que me levava a um mundo diferente do meu, um mundo encantado... que me transformava não em uma espectadora, mas em protagonista...

Aqueles livros da adolescência... Meu pé de laranja Lima, Fernão Capelo Gaivota, O pequeno príncipe... aqueles maravilhosos livros de Machado de Assis... As poesias de Olavo Bilac, Castro Alves e Cecília Meireles...

E de vez em quando, aquelas histórias para  jovens sonhadoras. Romances lindos das revistas Sabrina, Júlia etc... Que me faziam sonhar...  Os pensamentos voavam... 

Lembro-me dos textos comuns em quase todos as histórias:

“Acordava preguiçosamente, tomava um banho, colocava um perfume com aroma suave e refrescante, aquela rouva fresquinha, descia as escadas levemente... e iniciava o dia, naquela manhã ensolarada, com um belo café da manhã; cafezinho quentinho, ovos mexidos e uma fatia de bacon e olhando pela janela, via ao longe os esquilinhos saboreando uma castanha...” rsrsrsrs

Sim. Sempre havia naqueles romances a descrição de um belo café da manhã. Quem nunca entrou naquelas histórias e por um momento, saboreou junto aquele cafezinho?! Se esquecia da sua realidade momentânea... Perdia a noção de espaço e de tempo... Se aconchegava às delícias que eram contadas, com muita criatividade e imaginação.

Hoje quero fazer uma leitura... Mas aquela leitura branda, que não me deixa confusa, nem triste... que não me faz pensar nos problemas cotidianos; que não haja discussão de pontos de vista e ideias. Fazer aquela leitura que não me informa e me ensina... Hoje não quero aprender... Só quero viver. Por um momento só... Me sentir inteira.

Daqui a pouco passa esta vontade... 

A vida ainda é melhor que os sonhos!