Uma lembrança feliz
Há cerca de dois anos, durante um curso sobre como falar em público, o professor nos propôs um exercício simples, mas profundamente revelador: Voltar, em pensamento, a um lugar onde tivéssemos nos sentido verdadeiramente bem, inteiros, em paz.Naquele instante, percebi algo em mim. Havia tempos que eu não me sentia completa. Uma sensação silenciosa de ausência, como se algo precioso estivesse faltando dentro de mim. Respirei fundo e permiti que a memória me conduzisse, com delicadeza, até um tempo em que a alma repousava segura.
Sim, minha vida foi marcada por muitas conquistas — o primeiro emprego, o casamento, a formatura em Direito, os filhos. São capítulos importantes, cheios de significado. Mas eu buscava algo anterior às dores, um tempo em que o coração ainda não conhecia o peso dos traumas. Buscava um lugar onde Deus caminhava comigo de forma leve, quase imperceptível, mas constante.
E então cheguei ali.
Voltei nos anos 80, naqueles dias em que passei no vestibular de Matemática para estudar no MIT/GV. Lembro-me do espanto e da gratidão. Aquela faculdade, que aos meus olhos parecia inalcançável naquele momento, tornou-se possível... O primeiro emprego veio, e com ele a possibilidade de iniciar aquele sonho cuidadosamente conduzido por Deus. Parecia que tudo se encaixava.
Caminhava pelo pátio como quem pisa em terra abençoada. Observava o chão, o verde, as plantas, as flores. Subia as escadas ao som das vozes jovens, alegres, cheias de esperança. Ali, todos carregavam sonhos — e, de alguma forma, todos começavam a realizá-los. Eu também.
Naqueles dias, não havia medo. Nada doía. Nada me exigia além do que eu podia oferecer. A vida parecia sorrir com suavidade. Tudo era calmo, tudo era leve, tudo era bom, tudo era pleno. Me sentia como se Deus estivesse ali, em silêncio, confirmando: está tudo certo.
Eu estava feliz. Livre. Inteira. E, sobretudo, agradecida.
Hoje compreendo que aquele lugar não era apenas físico. Era um estado de espírito. Um tempo em que minha alma descansava sob o cuidado de Deus. Tudo estava perfeito.
É esse estado que desejo preservar. Voltar a ele sempre que possível. Permanecer no presente, mas ali naquele estado de espírito, com fé, gratidão e confiança. Porque, mesmo quando a vida muda, Deus permanece.
💭 Para reflexão
Às vezes, voltar a uma lembrança feliz não é nostalgia — é reencontro. É lembrar quem fomos quando a fé ainda era simples, o coração leve e a esperança natural. Talvez esse seja o convite de hoje: descansar por um instante onde Deus já nos fez inteiros.

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