sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

 

As meias da vida

Há um tempo fiz uma postagem contando sobre um sonho juvenil — a tal meia arrastão e minha linda professora. Mas hoje percebo que minha história com meias começou bem antes, quando eu ainda era só uma menina de olhos atentos e desejos silenciosos.
Eu devia ter uns nove anos.
E lá vinha ela… a menininha loirinha, de jardineira azul, blusinha com rendas brancas aparecendo delicadamente no colo, e — o que mais me encantava — aquela meia branca até a canela.
A meia tinha duas bolinhas brancas penduradas na lateral, que balançavam no compasso da caminhada. Eu olhava para aquilo como quem contempla uma obra de arte renascentista. Quase ouvia trilha sonora ao fundo. (risos)
Ela estudava comigo. Não me percebia.
Mas eu percebia as meias dela. Intensamente.
Se eu pedisse, tenho quase certeza de que minha mãe compraria. Mas eu não pedia. Ficava só sonhando. Talvez porque fôssemos oito irmãos. Talvez porque, naquela época, pedir o supérfluo me parecesse um luxo que não combinava com a rotina de uma casa tão cheia de vida.
Minha mãe trabalhava muito e ajudava meu pai, também no que podia, na padaria. O básico nunca faltou — e isso já era milagre suficiente. Meias com bolinhas dançantes talvez não entrassem na categoria das prioridades celestiais. (risos)
Engraçado como certos desejos infantis não morrem. Eles adormecem. Ficam guardados numa gavetinha invisível da alma.
E então, esses dias, meu filho — conhecedor oficial das minhas histórias nostálgicas — estava em viagem. Lá longe, em Las Vegas. Segundo ele, foi realizar um sonho adolescente: assistir a um show do grupo que marcou os anos 90, o inesquecível Backstreet Boys. (Ele não saiu do Brasil para isso, porque já mora nos Estados Unidos. Logística resolvida, honra preservada.)
Enquanto esperava o voo no aeroporto, encontrou uma banca — imagine — só de meias diferentes.
E lembrou de mim.
— Mãe, vou levar para você.
Trouxe uma meia bordada com um bichinho que até hoje não sei identificar. E, na lateral, duas orelhinhas delicadas, lembrando — adivinhe — as bolinhas dançantes da minha infância.
Estou usando todos os dias nesse tempinho frio. (risos)
E acho lindo.
Mas não é só a meia.
É a vida fazendo um círculo perfeito.
É Deus, com Seu humor delicado, me mostrando que nenhum sonho inocente é esquecido. Alguns apenas atravessam o tempo… até amadurecerem.
Hoje entendo: não era sobre a meia.
Era sobre o encanto.
Sobre a capacidade de admirar o detalhe.
Sobre guardar beleza dentro de si, mesmo quando não se pode tê-la nas mãos.
E, no fim das contas, a menina que suspirava no pátio da escola continua aqui. Só que agora, além das meias com orelhinhas, ela aprendeu que os sonhos não precisam ser urgentes para serem verdadeiros.
Alguns chegam décadas depois — embrulhados em amor de filho.
E isso, convenhamos… combina perfeitamente com qualquer meia do mundo. ✨
Na imagem acima - A meia que meu filho me trouxe, calçando meus pezinhos delicados (risos)... Lindinha.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

 

NUMA ENCRUZILHADA, PRECISAMOS DECIDIR.

Sabe aquela situação em que você está diante de uma encruzilhada — e nenhum dos caminhos parece simples?
Pois é.
Assim estava eu.
Pensava. Perguntava ao meu marido. Conversava com os filhos. Orava. Lia a Bíblia. Esperava um sinal.
Mas, no fundo, eu já tinha escolhido.
E a escolha que eu havia feito inicialmente era a mais confortável.
Aquela que não exigia processo.
Não exigia desgaste.
Não exigia atravessar inseguranças.
Eu queria permanecer na minha zona de conforto. Ali era seguro. Ali eu sabia como tudo funcionava. Ali não havia riscos.
Só que, ao mesmo tempo, eu queria ouvir claramente de alguém — de preferência de Deus — que aquela era a decisão certa.
Passei semanas angustiada. Com raiva. Triste. Inquieta. Chorei.
Todos, com uma serenidade quase irritante (risos), deixaram a decisão em minhas mãos.
Em certo momento pensei:
Ah, se eu fosse criança… A mãe decide e pronto. Criança não carrega esse peso.
Mas eu não era mais criança.
Clamei:
— Senhor, responde-me como respondias a Davi.
Davi perguntava, e Deus dizia “vá” ou “não vá”. Às vezes ainda entregava a estratégia inteira.
Eu só queria uma confirmação:
— Está certa essa escolha confortável, pode ficar tranquila.
Mas o céu permaneceu silencioso.
Nenhuma palavra específica na Bíblia.
Nenhum vídeo “coincidentemente” esclarecedor.
Nenhuma frase sublinhada saltando aos meus olhos.
Nada.
O prazo estava acabando.
Aiaiai.
Foi então que compreendi algo desconcertante:
Deus não estava em silêncio.
Ele estava esperando que eu crescesse.
Naquela noite fiz uma oração diferente:
— Senhor, amanhã eu vou decidir. Não sei qual a melhor escolha. Mas tem uma que não quero enfrentar. Mas vou escolher e o Senhor confirma com a Tua paz.
No dia seguinte, respirei fundo.
E escolhi exatamente o que eu estava evitando.
O caminho que exigia processo.
Mudança.
Desconforto.
Coragem.
E então…
Veio uma paz.
Não uma paz tímida.
Uma paz que transbordava.
Uma alegria serena, firme, inesperada.
Ali entendi: A escolha confortável não me faria crescer, me faria desistir de algo que já havia conquistado, por medo de enfrentar todo o processo. O Senhor já havia me dado. Eu estava olhando as circunstâncias, que não eram favoráveis aos meus olhos. O processo que eu temia era o instrumento do meu amadurecimento.
Deus não me empurrou.
Não gritou.
Não deu um “sim” ou um “não” audível.
Ele confiou em mim, na minha decisão. Creio que estava me guiando na escolha.
E, depois que decidi, Ele foi comigo em cada etapa do caminho difícil. No cansativo. No incerto. No novo. No inseguro. Ele me conduziu de maneira surpreendente... Me fez lembrar de outros eventos, nos quais deu livramento à minha família, quando atravessamos uma situação idêntica. Me dizendo: Lembra daquela vez? E o que Eu fiz?!... Pode ir. Faço o mesmo se necessário for. UAU!!! QUE DEUS GRANDIOSO!
Não me livrou do processo.
Mas me sustentou nele.
Descobri que Deus responde de quatro formas:
Sim.
Não.
Espera.
E… decida.
E quando decidimos com fé, Ele confirma com paz.
Que lindo isso.