BEM ALÉM DOS SESSENTA... MUITAS COISAS A FAZER E MUITOS SONHOS A REALIZAR! 
Estava muito inquieta antes de completar mais um ano de vida (agosto)...
É... chega um tempo em que a gente começa a desejar que o relógio dê uma paradinha. (risos)
Depois dos sessenta, confesso que os números da idade já não me despertam tanto entusiasmo. A gente olha para eles e pensa: “Meu Deus! Será que não está bom assim? Para que continuar aumentando?” 
Parece que, de repente, a idade começa a pesar. O corpo já não responde com a mesma disposição de antes, algumas dores aparecem sem serem convidadas e a gente começa a perceber que o tempo não passa apenas no calendário... ele também deixa suas marcas.
Mas há um detalhe muito importante: a cabeça continua jovem! E cheia de vontade de fazer coisas, de aprender, de descobrir, de experimentar a vida!
Quero estudar Filosofia. Sim, já até me inscrevi, não estou encontrando um tempinho... Quero completar meu curso de Psicanálise. Tenho novas pós e novos cursos para serem atualizados na área do direito. Quero aprender a pintar quadros, cuidar de plantas, cultivar flores e construir um lugar lindo para os passarinhos.
Quero viajar para a Europa! Conhecer a Itália, a Espanha e tantos outros lugares que ainda moram nos meus sonhos. Tenho pensado muito em viver por um tempo no nordeste do Brasil, em contato com suas belas praias... Mas quero, também, ficar comigo mesma e com meu marido, curtindo o nosso cantinho, sem me preocupar com o amanhã... Quero sentar em uma praça, tomar um café, observar as pessoas e pensar: “Meu Deus, como é bom estar aqui!” 
E então me pergunto: será que o tempo que ainda tenho será suficiente para viver tudo isso?
A ansiedade aperta...
“Mas, meu Deus, daqui a pouco vou para os setenta!” 
Não! Não pode ser! Alguém, por favor, converse com o calendário! (risos)
Mas, aos poucos, a poeira vai baixando. O coração se acalma. A respiração fica mais tranquila e começo a compreender que não preciso transformar a vida em uma corrida contra o tempo.
Não vou mais me preocupar tanto com o que ainda não fiz.
Vou me concentrar no presente e fazer o melhor que puder naquilo que vier às minhas mãos. Vou viver um dia de cada vez, com mais leveza, mais coragem e menos cobranças.
E a família? E os filhos?
Ah, os filhos... Eles estão caminhando, cada um seguindo sua estrada, construindo sua própria história. E assim deve ser. A gente cria, cuida, orienta, ama... e depois aprende a soltá-los um pouquinho, mesmo querendo, às vezes, colocá-los debaixo das nossas asas para sempre. 
Eu quero ar puro! Quero abraçar mais, sorrir mais, sentir o sol no rosto e aproveitar o melhor de cada tempo.
Quero fazer coisas que nunca fiz, sem me preocupar em medir minha vida pela régua dos outros.
Quero sonhar, chorar quando for preciso, rir de mim mesma e ser cada vez mais eu.
Quero olhar para os anos que passaram com carinho e gratidão. Deixar lá as emoções vividas, os amores, as perdas, as conquistas, os medos e as lágrimas — que foram tantas nestes últimos tempos.
Não quero apagar o passado. Quero apenas aprender a carregá-lo de um jeito mais leve.
Quero reaprender a viver. Reaprender a me encantar com as pequenas coisas, a dar valor ao que realmente importa e a abrir espaço para tudo aquilo que ainda pode florescer.
E, se o tempo insistir em correr, que corra!
Eu vou atrás dele, mas sem desespero. Vou com calma, com fé, com alegria e com a certeza de que ainda há muito para viver.
Só não deixarei para trás aqueles que caminharam comigo até aqui: meu marido e meus três filhos, companheiros de tantos capítulos da minha história. Esses terão sempre um lugar garantido na minha vida.
E, no lugar mais profundo e sagrado do meu coração, estará sempre o meu Pai Eterno - DEUS. O lugar por inteiro. 
Aos sessenta e poucos anos... poucos? (risos), talvez eu não tenha mais tempo para tudo o que desejo...
Mas tenho, sim, tempo para viver o que vier com intensidade, amor e verdade.
E isso já é um presente extraordinário!
Que venham os próximos capítulos. Que venham os sonhos, as descobertas, as viagens, os livros, as flores, os passarinhos e tudo aquilo que a vida ainda quiser me ensinar.
Porque envelhecer é inevitável. Mas deixar de sonhar... isso eu não aceito! 

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