terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Série - Meus Testemunhos de vida...


            Iniciarei uma série de testemunhos de vida, em agradecimento ao meu Deus que tem me abençoado em toda a minha existência. Não vou postar em ordem cronológica. Postarei na ordem que o Espírito Santo me indicar. Hoje inicio uma postagem antiga, para um entendimento melhor. Creio que temos de compartilhar o bem que Deus nos tem feito. Assim glorificar o Nome Dele, que é digno de todo louvor e toda Glória. A Ele, toda a minha gratidão!
            Claro, não vou postar todos os testemunhos, tampouco fazer uma exposição de minha vida aqui...Este não é o objetivo. Creio, no entanto, que todas as pessoas têm coisas lindas e verdadeiras para contar, sobre sua fé. Quando expressamos, levamos esperança para aqueles que necessitam.

            Quero enfatizar, com minhas experiências, o que ocorre em um momento de angústia ou não, quando manifestamos nossa fé no Deus Altíssimo, ou mesmo quando agimos em conformidade com a Sua palavra.

              Porém para um entendimento melhor, é preciso falar um pouquinho só, sobre minha pessoa, porém afirmo, que mencionarei somente o  estritamente necessário.

            Então, vivi minha infância numa pequena e pacata cidade do interior de Minas Gerais – Virgolândia, na década de 1960,  numa família de oito irmãos. Criança daquela década não tinha tantos mimos como hoje. O meu pai era rigoroso, minha mãe, amorosa...

            As crianças iniciavam sua vida de trabalho muito cedo. Aos sete anos de idade todos já tinham os seus compromissos trabalhistas e escolares. Meu pai era dono de uma padaria, tinha trabalho para todos. Aqueles que não ajudavam na padaria, ajudavam a mãe em casa. O pouco tempo que sobrava, brincávamos com o que tínhamos. Inventávamos, com a nossa criatividade infantil...

           Tinha os meus anseios e não me conformava em viver como todos, não queria ser somente mais um rosto na multidão... Isto desde criança, era inquieta dentro de mim. Meus sonhos eram  coloridos, vida regalada, com tudo do bom e do melhor, passeios, viagens... porém permaneciam somente em minha imaginação. Ao deitar à noite, ficava horas e horas comigo mesma, pensando e sonhando em ser alguém que abraçava todas as minhas expectativas... Me sentia feliz com aqueles momentos. Era como se realmente eu vivesse aquela vida que tanto amava...

            Aos quinze anos, mudamos, toda a família para   uma cidade maior, Governador Valadares, e ali, comecei a colocar em prática os meus desejos. Na verdade, não colocava em prática, apenas via condições reais de se tornarem verdadeiros...
Sonho é uma coisa, tudo acontece num fechar e abrir dos olhos. A realidade é muito diferente. Você tem que lutar muito para subir apenas um degrau por vez...

            Aquela menina cheia de sonhos, cria com todas as forças que viver era muito simples, bastava querer fazer, fazia. Pronto!

            E no primeiro momento realmente foi assim mesmo. Tornei-me fundadora e líder do Grupo Jovem do meu bairro. Era muito querida onde passava. Liderava com alegria e compromisso. Os jovens do bairro e do grupo jovem, uns 30 a 60 eram meus parceiros em tudo. Acreditavam em mim. Tudo que eu falava virava “lei”. As famílias deles me respeitavam e onde eu chegava era bem recebida!... Não havia espaço para tristeza, o que valia era ser feliz. E tudo dava certo!...

continuarei amanhã...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Nossa linda juventude...

Somente compartilhando este maravilhoso vídeo do Youtube...
Não estou nele, mas poderia estar... Pois éramos assim mesmo...
Até a música, era o que curtíamos...
Incrível, mas me vi aí com meus amigos...
A gente vivia o momento, mas não registrava... O registro ficou só na memória...
Éramos jovens felizes de verdade, cheios de anseios e de sonhos...
Parabéns à autora do vídeo Débora Castro! Muito bom gosto.

Lembranças de momentos perdidos no tempo...

Hoje passeando no youtube encontrei este lindo vídeo. Pensei não podemos deixar morrer...
Temos que compartilhar...
Para que a geração atual conheça como viviam as pessoas pouco tempo atrás, sem a tecnologia, sem telefone, sem internet... Somente amigos.
Uma vida vivida,
Pensamentos puros,
Os pais e filhos viviam sem se preocuparem muito com coisas pequenas, apenas viviam...
Sorrisos sinceros, alegria verdadeira,
Respeito mútuo...
Crianças ouviam os mais velhos... e os respeitavam...
As pessoas eram mais amigas...
Mais companheiras...
Pactos de amizade para sempre...
Não é saudade! Nem tristeza!
É somente lembranças de momentos perdidos no tempo...
É contemplar  o simples e a pureza...
E descobrir que precisa-se de tão pouco para ser feliz!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Análise do ano de 2016



Hoje, a dois dias para se findar mais um ano...
Como gosto em todo final de ano, fazer uma análise do que fiz... estou aqui novamente.

Então, este ano não fiquei parada como escrevi em 30/12/2013, postagem "FIQUEI ALGUNS DIAS SEM APARECER POR AQUI", Naquele época estava há 1 ano e meio de minha aposentadoria como servidora pública, e fiquei um pouco parada mesmo, curtindo minha casa e minha família.

Desta vez, não! Arregacei as mangas.
Em fevereiro, recebi minha carteira da OAB e foi tudo de bom que me ocorreu. Pois apesar de já estar formada em direito a um longo tempo, foi esta a minha oportunidade.
Não, por não reunir condições para isto, mas uma série de circunstâncias, fizeram que demorasse tanto.
Uma delas foi por ser servidora pública,  e um grande  período trabalhava em tempo integral, cuidava dos filhos, ainda crianças, cuidando do marido e outras situações... Morei, também um bom período fora do Brasil...
Enfim, o importante é que hoje estou com minha carteira e toda feliz.

Terminando o ano com este desafio cumprido totalmente. E até fui além,  fiz uma pós-graduação em Direito Previdenciário, numa faculdade de São Paulo, a qual me deu um conhecimento técnico excepcional.
Estou fazendo minha monografia, para ser apresentada em junho/2017 em São Paulo, que passou a ser meu desafio do dia-a-dia. Estudando, pesquisando, escrevendo como nunca, me profissionalizando, conhecendo... e mais, amando escrever...
Não sei, do jeito que estou gostando, creio até, que qualquer dia, começo a escrever um livro... Uaw! Pode ser! Mais um desafio lançado aqui e agora!...
Não podemos deixar morrer nossos sonhos, se eles morrem, a vida vai junto...

Foto do dia da entrega da Carteira da OAB
Estou aí neste meio. Obrigada Jesus!


Feliz? Feliz é apelido... estou mesmo maravilhada. Agradecida, principalmente a Deus, que creio sem Ele, não teria conseguido...

Queridos leitores, coisas incríveis descobrimos todos os dias. O aprendizado nos traz vida e sonhos. Rejuvenescemos.... Hoje com 5.7, estou reiniciando tudo... recomeçando...
Esta sou eu, aquela garota cheia de vida de sonhos cor-de-rosa, lá de traz, 16, 17 ...23 anos. Chorava de felicidade... Sorria quando estava triste...
Que o "tempo" quis parar...
Mas,  a fé, me fez continuar...

Sala da OAB/GV - dia da entrega da Carteira da
OAB.


Algumas outras coisas fiz também neste ano. Voltei para rede social, o facebook, lugar onde fiquei um longo tempo distante... Relutei muito. Não sabia se queria manter a distância,  ou se encararia de vez. É uma ferramenta maravilhosa. Mas não gosto muito de exposição em tempo real da vida... Contudo, nestes tempos, impossível é se manter longe da tecnologia...
Não posso negar, que através dela, encontrei tanta gente que não via há anos...  Tantos amigos que amei reencontrar...
Criei minha página https://www.facebook.com/ap.claudino/ ...
E sei que poderei trabalhar esta ferramenta da melhor maneira possível. Usar, com comprometimento, inteligência e com responsabilidade... É algo muito positivo.

Ainda descobri, que amor não é chamar outro de ”mô, môzinho”... descobri, que amar não é  mandar flores, nem falar palavras de amor, tampouco elogiar...

Através das circunstâncias, descobri que amar é estar longe, muito longe e ter a sensação que não saiu do seu lado; que amor é proteger o  amado; é compartilhar as alegrias e estar juntos na tristeza... É amparar o outro, quando ele está prestes a cair... É chorar de saudade e sentir que do outro lado da linha, o seu amado ficou em silêncio, para que você não perceba, o quanto ele está sofrendo, somente para te proteger...  É o seu amado te ouvir pelo telefone 1 hora ou mais, caindo de sono, mas não desligar o telefone, para ouvir o que sua amada tem a dizer e para estar junto dela nas horas difíceis... É você lutar pelos ideais em comum, sacrificando, confiando e saber que é por pouco tempo, e quando menos esperar estarão juntos novamente, porque o sonho é dos dois... Amar é você ver vídeos antigos, de músicas que embalaram sua  juventude, músicas maravilhosas, achar lindo, sorrir e não sentir saudades mais daquele tempo... Porque aquele tempo já não significa mais nada, e o que é importante para você está com você...

Enfim, todos os dias se aprende... aprende-se com os erros, com os acertos e com as circunstâncias...
Uma coisa não posso me esquecer... Recebi flores do meu amado no meu aniversário este ano, rosas vermelhas... Não precisava mandar, para demonstrar o seu amor, pois o seu amor é demonstrado todos os dias, através de pequenos e grandiosos gestos... Mas como amei recebê-las!... Sei que ele me mandou, somente para me agradar, pois sabe que toda mulher gosta de receber flores...

Sobretudo aprendi, que para vencer nossos obstáculos, não devemos esperar nada de ninguém... Pois tudo o que precisamos, está com Deus e Nele, sendo disponibilizado para nós pessoalmente, na medida de nossa fé, da nossa busca e da nossa perseverança, ainda que, seja colocado por Ele, pessoas especiais em nossos caminhos...

Muitas saudades senti  e sinto dos meus filhos, os quais estavam tanto tempo pertinho de mim... e fiquei tão perto do outro filho que há tanto tempo estava distante...

E longe de pessoas que tanto amo, me agarrei mais ainda com o meu Senhor... Aquele que supre tudo o que me falta...
Obrigado Jesus, por este lindo ano!...


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Rio de lama, o nosso Rio Doce. Parte III

Parte III
As imagens dizem mais do que palavras.

Rio enlamaçado, após as quedas da barragem da Samarco/Cia Vale...
Produto desenvolvido no RS acelera limpeza da água do Rio Doce Fred Loureiro/Secom ES


Vídeo encontrado na net, monstrando o contraste do nosso Rio Doce, o antes e o depois da tragédia da Samarco/Cia Vale.




Produto usado para limpar um pouco o Rio Doce, tornando-o consumível à população.

Ficamos uma semana sem água potável, mas hoje Graças a Deus, temos água novamente em nossas torneiras.

Restou um sentimento profundo de tristeza e saudade do  nosso Rio Doce.




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Rio de lama, o nosso Rio Doce. Parte II

Parte II.
Acordei no outro dia tranquila, mas rápido meu pensamento se voltou ao problema da água. Corri lá na torneira, abri e nada, nem uma gota. Há meu  Deus e agora!.
Liguei a TV no Balanço Geral da TV Leste (lembrando que a cobertura foi excelente e de muita responsabilidade, ajudou  muito e informou bem a população, amenizando um pouco mais a situação. Toda produção bem como, o apresentador Ricardo Assunção estão de parabéns). E só falavam sobre lama, todo noticiário era sobre a queda das barragens.
Era assustador.

Nas ruas, pessoas assustadas, comprando água mineral, passando com caixas d'água, carotes em cima de caminhonetes. O movimento era grande.
Já em minha casa, parecia que a única preocupada era eu.
Falava com meu marido: O problema é real, precisamos tomar providências. Ele insistia em dizer que nada aconteceria.
Tinha dois vasilhames cheios de água mineral estocada, mais um, em uso.
Liguei para comprar mais, o rapaz disse que havia acabado, liguei para outro e mais outro e nada.  A resposta era que chegaria segunda-feira, estávamos na sexta-feira.

Os caminhões com água potável da Samarco (mineradora responsável pelo desastre ambiental, junto a Cia Vale), eram visto em todos os lugares, menos em nossas casas. A água não aparecia. Víamos entregas em algumas casas, alguns restaurantes, mas para população em geral, nada. A cada dez minutos, um recipiente era esvaziado, em minha casa. Na quarta-feira seguinte, já não tinha água no reservatório de mil litros. -Mãe, como vou tomar banho? pergunta o filho mais novo. -Pega uma garrava pet, serão só dois litros de água por banho, somente uma vez no dia. Respondo.
Se não fosse trágico, seria cômico. Cada um, à noitinha pegava sua garrafa pet e ia para o banheiro , banhar-se. No fundo não conseguia conter o riso da situação, porque realmente era engraçado. Eu não conseguia acreditar no que estava vivenciando.

Corremos ao Supermercado, procurando copos, pratos e talheres descartáveis, não encontramos. Meu marido saiu para procurar. Enchemos um carrinho de supermercado de água mineral engarrafadas, a contra-gosto do meu marido, e trouxemos.
As poucas vasilhas que sobravam para serem lavadas, eram como em tempos remotos, lavava em bacia e enxaguava em um balde. Pensei em sair da cidade, ir para casa de minha irmã em Itaipé, cidadezinha próxima à Teófilo-Otoni. Eu estava estressada, cansada e triste.

Enquanto isso, passava a maravilhosa novela bíblica "Os dez mandamentos" na Record. mostrava o povo Hebreu no deserto, sofrendo, clamavam a Deus e eram respondidos. Aquela fé dos hebreus, despertou a fé nos valadarenses. Eles se reuniram na praça dos pioneiros e de joelhos clamavam a Deus. Alguns pastores foram até ao Rio Doce, usaram a fé e ali clamaram, também à Deus... Pediram para curar o nosso Rio Doce -  Jesus é fonte da vida.

Eu sabia que algo iria acontecer.

Era sexta-feira, um policial era entrevistado na TV Leste. Até esse momento não havia nenhuma novidade boa. A conversa é que não sabiam quando a cidade iria voltar à normalidade. No finalzinho da reportagem o policial disse que havia uma pesquisa sobre um produto que poderia limpar o rio em minutos.
A esperança começava a voltar...

A noite, choveu muito, aparamos água da chuva para usar nos vasos sanitários.
Agradecemos a Deus pela resposta. Nunca uma chuva foi tão bem recebida como aquela. Nas ruas as pessoas gritavam de alegria, "Obrigado meu Deus"!...

No sábado, meu marido já preocupado com a situação, saiu cedo para procurar água em poços artesianos. Chegou mais ou menos quatro horas da tarde em um carro repleto de água...
À noite, cansados, mas com a casa abastecida de água. Dormimos...








Oração dos Hebreus nos deserto.
Image result for oração dos valadaresnses na praça dos pioneirosOração dos Valadarenses na Praça dos Pioneiros.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Rio de lama... o nosso Rio Doce. Parte I

Parte I
Pensei que não viveria para ver isto. Mas vivi e vi.
Depois que passou o tumulto da falta d'água, da correria, do banho com garrafa pet de água armazenada quando da espera da lama...

Chegava lenta, traiçoeira. Como querendo matar aos poucos. Cada quilômetro que andava, rolava. Bem, não sei como dizer. Não sei se água, anda, corre ou desliza. Só sei que vinha. De longe já causava terror.

O ar ficou mais seco. O calor aumentou.
E alegria deu lugar à insegurança, ao medo. Não sei como me expressar diante daquele monstro prestes a estourar aqui, justo aqui em Governador Valadares... Cidade calorenta, mais ou menos trezentos mil habitantes. Já havia feito vítimas em outros lugares, onde passava o monstro de lama.

O que seria dessa população! Das crianças, dos velhinhos, dos moradores de rua, dos animais!... O que seria de nós humanos, residentes nesse lugar quente, sem uma gota de água...

O coração apertava, sem querer acreditar no que estava prestes a acontecer. já ouvira falar da falta d'água no sertão nordestino, já ouvira falar de tremores de terra no norte de minas, em São Paulo, já ouvira falar de tempestades tropicais no sul do país. Apesar de condoer-nos com tudo que ouvíamos falar, não tínhamos como mensurar os efeitos de longe. Mas não, agora aconteceria aqui, bem em baixo de  nosso nariz....

-Cê num tá sabendo não?!... pergunta um amigo. -Vamo ficar uns vinte dias sem água, na verdade num tem previsão quando teremos água do Sae (SAAE). Falava, sabendo do problema, mas com ar sadomasoquista. Querendo assustar mais ainda.

É assim que nós mineiros falamos, quando estamos com amigos e parentes, cheio de sotaque, comendo um pedaço das palavras. Falamos assim, não por não saber o português. Mas é para terminar mais rápido as falas mesmo. É nosso costume de mineiros bons de prosas. Que quer terminar logo, para falar mais um pouco.  Rsrs. Falamos assim só entre amigos.

-Cê tá brincando! respondo eu, aparentemente preocupada e sem querer acreditar.
-Que?!... É oficial. A prefeitura já tá informando. Na minha casa já amanheceu sem água hoje. Cê tem água na sua casa? Pergunta-me.

- Claro! tenho. Vou correndo para armazenar, até acabar.

Aí começou a correria. Não tenho vasilhas grandes o suficiente, mas tenho que aproveitar a água.
Encho uma garrafa pet de dois litros, mais uma e mais uma, e mais uma dúzia e mais três dezenas e meia. Sorrio, bom já tem uns sessenta litros aqui. Meu Deus! O que é sessenta litros de água para esse tanto de gente, esse tanto de gente, são quatro pessoas, o marido, dois filhos e eu...

Latas, cadê as latas de tinta?... Lavei duas às pressas, enchi. Há! Graças a Deus tenho mais sessenta litros nestas latas. E o pensamento a trezentos km/h. Mas o que é mais sessenta litros de água para minha família?... Fui até ao armário, peguei todas as panelas e latas maiores, enchi-as também.

A cada recipiente cheio daquele líquido, que naquele momento tornava-se ainda mais precioso do que normalmente é, sentia-me um pouco mais confortável. A sensação durava pouco, pois lembrava-me do que meu amigo falara: "Não tem previsão de quando teremos água". Enchi a máquina de lavar roupas, respirei aliviada, lembrando que a caixa de mil litros, também estava cheia. E ainda havia água escorrendo forte na torneira como dando adeus, lembrando-nos que seria os últimos minutos que permaneceria viva, límpida. Mas morreria forte e lutando.

Pensei, vou esperar meu marido chegar, para ver se ele compra ainda hoje mais uma caixa d'água., para aproveitar até a última gota. Para minha decepção, ele chegou tranquilo que só. -Deixa de sê boba menina, num vai acabar a água não. tá ficando doida? Falava ele em mineirez (fala com o sotaque dos mineiros). Respondo também em mineirez: -Cê num viu o jornal não, trem?  Vai fazer nada não, né?  Na hora que começar a faltar, cê se vira.

E continuo: -Não vou preocupar não. Fiz a minha parte, olhando orgulhosa, para cada litro de água armazenado, cada recipiente cheio em cima da mesa.
Olhava também, para aquela torneira escorrendo água a vontade, pensava, o que vamos fazer daqui para frente....