sábado, 23 de maio de 2020

Uma lembrança... Parte II " Se chorar perto de mim, eu me derreto todo" - A Resposta.


Continuação...

O meu pedido a Deus naquele momento era: “Espírito Santo ilumina a minha fala, me faça falar o que vai tocar o coração daquela pessoa”.

Cheguei amassada, cansada, o olho inchado por não ter dormido bem e por ter chorado abundantemente. Lavei o rosto na rodoviária e me encaminhei para o meu trabalho. Não havia agendado nada. Me apresentei e disse que queria falar com o chefe responsável. Não o conhecia. Esperei um pouco. E entrei em sua sala. Havia um outro servidor na sala.

Contei um pouco de minha história e o motivo de estar ali. Queria minha transferência para Governador Valadares. Ele chamou a secretária, pediu para pegar minha ficha funcional. Ela trouxe e junto dois processos, aqueles que continham meus pedidos de transferência. Um, o meu pedido, o outro, o pedido do Deputado. Abriu os processos, leu tudo, vagarosamente e deu o veredito: Não posso te transferir, já está tudo explicado aqui nos processos. Onde você está não tem outro servidor administrativo, somente você; para onde você quer ir, tem muitos. Infelizmente não posso te transferir.

Eu não conseguia abrir a boca, para dizer alguma palavra. Nenhum som saiu. Mas grossas lágrimas começaram a cair dos meus olhos... E por mais que os limpava, não tinha jeito, insistiam em escorrer. E eu envergonhada, pois a última coisa que queria que acontecesse ali, era demonstrar fraqueza e chorar... Já estava decidida, iria pedir demissão, e acabou.
Mas não. Abaixei o rosto e as palavras sumiram e o choro não parava. O outro servidor que ali estava, se levantou visivelmente nervoso e provavemente condoído me ofereceu uma chícara de café, tomei o café e agradeci a gentileza, chorando...

O Chefe Administrativo, que até então estava calado, olhou prá mim e falou com a voz bem forte; Não, por favor não chore! Assim eu me descontrolo. Eu me comprometo com você vou te transferir, você fica somente este mês de dezembro, início de janeiro você vai para sua cidade. Eu me comprometo, você vai a princípio, provisoriamente por dois anos e depois, fica em definitivo.

Whau! Num momento nada. Noutro momento tudo. Como por mágica, as lágrimas desapareceram e os sorrisos apareceram ali naquela sala. E conversamos animados, os três...

Foi aí que ele falou, como bom mineiro: Uai, cadê o choro?!...  E continuou: Menina, você foi no meu ponto fraco. Se tem uma coisa que me faz derreter o coração é uma mulher chorando perto de mim. Se chorar perto de mim, e repetiu, “eu me derreto todo”! Faço tudo o que me pedir... Estou comprometido com você, com a sua transferência.

Meu filho e eu.
Foi aí que me lembrei de minha Oração: “Espírito Santo ilumina a minha fala, me faça falar o que vai tocar o coração daquela pessoa”.

A única coisa que tocaria o coração daquele homem, seriam as lágrimas. Entendi que Deus me respondera ali. Meu Deus, Como O amo! Como está presente nos mínimos e nos grandes eventos de minha vida!

Voltei, trabalhei e me aposentei ali. Trinta e três anos de serviços prestados ao todo. Nesse serviço, no entanto, 27 anos.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Uma lembrança - Parte I "O pedido de Transferência e a Oração"...



Às vezes vêm algumas lembranças em nossa mente, e pensamos: como conseguimos resolver aquilo, daquela maneira!... E particularmente penso: Não fui eu. (ponto final).

Pois é. Havia passado em um Concurso Público Federal, sonho de muitos na época  em 1984/1985. E fui trabalhar numa cidade aproximadamente trezentos km da minha terra.
Menina simples, confiante em tudo e em todos; tipo assim, totalmente inexperiente, desprovida de qualquer malícia, para se resguardar diante dos leões da vida. A convivência havia sido até ali somente nas “barras da saia” da mãe e sob os “trancos e barrancos” do pai... rsrsrsrs

Fiquei por lá uns dois anos e meio, e tive meu primeiro filho, e ainda bebê precisei deixá-lo com minha mãe. Voltei ao trabalho. O salário só dava para pagar o hotel onde vivia; não podia nem visitar meu filho direito... Eu agoniada procurava uma maneira, para voltar para minha cidade, através de uma transferência. Que à época era quase impossível, se não tivesse conhecimento com as pessoas que poderiam fazê-lo... E eu não tinha.

Busquei a maneira como podia, Pedi aos superiores, em Gov. Valadares, em Belo Horizonte... Nada! Lembrei-me de um amigo, cujo pai era Deputado Federal, falei para ele minha situação, ele se dispôs a me ajudar e o fez. Porém, não tive sucesso. A resposta sempre a mesma: Precisamos de você onde está, no local para onde quer ir, tem muitos servidores...

Longe da família, longe do meu filhinho, salário baixo, triste, muito triste...
Decidi-me: Peço demissão e volto para casa. Tudo certo.

Mas um amigo e responsável pelo Posto de Atendimento local deu-me um conselho: Vai pessoalmente a Belo Horizonte, conversa com o Gerente Geral, explica sua situação. Você não tem nada a perder. Se ele disser não, aí sim, você pede demissão a ele diretamente...

Assim fiz. Viajei a noite toda, doze horas de viagem... No caminho deu tempo para pensar sobre minha vida, minhas lutas, conquistas, dias felizes e dias nublados e dias muito tristes, que era um dos que estava vivenciando naquele momento... 
Não quero perder o meu trabalho, conquistado com dificuldade através de concurso; duas vezes, pois o primeiro, o qual passei em 7º lugar, foi anulado (suspeita de fraude), o segundo, um ano depois, passei em 4º lugar. E agora, com um filho para criar... Um trabalho, que no momento, pagava pouco,  mas era federal e tinha estabilidade de emprego. A esperança era que um dia poderia melhorar... Como aconteceu gradativamente.
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Havia perdido um noivado, por causa desse trabalho rsrsrs. Um noivado que chegaria ao casamento, provavelmente, e naquele momento era tudo o que eu queria. Mas minha mãe colocava em nossa cabeça (das filhas) que o trabalho era muito importante para uma mulher, pois não precisava sofrer o que ela havia sofrido com nosso pai. Por não ser independente financeiramente, teve que aguentar muita humilhação no dizer dela. Desde criança ouvia aquela conversa, e pensava que era aquilo mesmo. Se não tivesse um trabalho, iria sofrer igual minha mãe... segundo ela; e segundo o que presenciava desde a infância. Meus pais tinham oito filhos e ela dizia que não saiu de casa e do casamento por causa deles, não tinha como cuidá-los.

Quase obrigada, por minha mãe, (rsrsrs) e muito a contra-gosto, mas com muito medo de ficar, e ser um passo errado. Na dúvida, decidi ouvi-la. Não quis contrariá-la em seus preciosos conselhos. Afinal, mãe é mãe e nunca erra... rsrsrs. No mínimo, só quer o nosso bem. E na verdade, por pura insegurança minha; acabei saindo de minha cidade para trabalhar, motivo do rompimento do relacionamento...

Voltando dos meus pensamentos, ali dentro do ônibus, aqui, e ao meu pedido a Deus naquele momento: 

“Espírito Santo ilumina a minha fala, me faça falar o que vai tocar o coração daquela pessoa”.
  

Continua...

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Reaprendendo... Um dia por vez.



Miami Beach-FL 
Olhando para um pedacinho do mar... lugar que sempre que posso fico a contemplar a beleza de Deus. Fiz ali uma reflexão e uma constatação: Nunca em tempo algum, nenhum ser humano teve o controle de nada. Sim! Vivíamos dentro de nosso mundinho, dentro de nossa bolha; e alí pensávamos que tínhamos o controle... Não mesmo. Somente fazemos tudo dentro dos limites do ser humano, que para nós é ilimitado, encontrando o seu limite em Deus.

De repente, uma mexida, um olhar do nosso Superior, entendemos que nada somos, que estamos sob sua dependência, totalmente.

A água, as nuvens eram as mesmas; chegava um pássaro, saía sem preocupação; peixinhos e peixões de um lado ao outro dentro da maior normalidade. O ventinho trazendo aquela sensação que estava tudo certo... Mas não.
O silêncio me acordava para uma meditação profunda: No primeiro momento orei, clamei, agradeci e chorei...

Em minha volta parecia tudo normal.
Mas dentro de mim nada era o mesmo.

O mundo perplexo diante de um minúsculo vírus, que vai derrubando o que pode à sua frente. O medo, a incerteza, a inconstância começaram a aparecer em toda a terra...
Os projetos, os planos...

Os governantes, os líderes, professores, estudiosos, profissionais, cientistas... Não, eles não sabem também, o que dizer neste momento. Cada um fala do que tem dentro de si, de acordo com estudos, fé e convicções; muitas destes colocadas por Deus, para nos orientar... Todos estão empenhados em ajudar... Mas todos, foram pegos de surpresa, incluindo nós pequeninos... E temos que reconhecer que nada podemos, se do Alto não for nos dado.

Pensei: E agora tantos ensinamentos, tantos projetos, tantas lutas e tantos sonhos... Não! Isto agora, não tem importância.

Sabemos: Deus é tudo. A nossa fé nEle é toda a nossa força.
A família é o que temos de melhor aqui nesta terra.
A misericórdia reacende em todos nós e nos faz mais humanos e solidários com o nosso próximo. Sim podemos dividir um pouco do que temos com aquele que nada tem.
Podemos compartilhar uma palavra de fé, a Palavra de Deus e de ânimo com aqueles que estão cansados e desanimados...

Temos que nos aproximar mais de Deus e clamar a Ele com intensidade, sinceridade, humildade e fé. Temos  que reaprender a viver, às vezes longe um do outro, mas muito mais perto do que quando podíamos estar juntos.

Viver um dia por vez. Sempre agradecidos, fiéis, confiantes e solidários. Reconhecendo sempre que estamos sob as Mãos Poderosas do Senhor nosso Deus Pai, Filho e Espítito Santo. E que assim permaneceremos em qualquer situação.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Olhar somente para Jesus



Não consigo ver Jesus, ou seu evangelho nas igrejas que ficam atrás de homem político-partidário... Sinto muito, mas não consigo ver...

Consigo ver Jesus nas atitudes de humanidade, de amor independente de quem seja; na inclusão, no perdão, na misericórdia, na mão estendida para levantar; no levar a palavra de ânimo, da salvação; no mostrar o caminho, na verdade, na fé.

Consigo ver Jesus quando agradecemos, quando apoiamos, quando desviamos do mal, quando não acusamos, quando não apontamos e nem espalhamos o erro de alguém; quando não exploramos quem tiver sob nossa subordinação/senhorio;

Quando o que não quero para mim, seja o que não quero para o outro...
Consigo ver Jesus quando vemos além das aparências...

Lendo o Evangelho de Jesus, vi atitudes, amor e compaixão indescritíveis dEle, para com todos aqueles que precisavam: os  excluídos, as mulheres, as crianças, os pobres, os ricos, políticos, religiosos, pecadores, aleijados, cegos... todos, todos aqueles que com humildade se achegavam a Ele, reconhecendo que dEle precisavam, nenhum saiu sem sua resposta, sua cura, sua libertação, sua paz. Ele tocava a alma, o profundo e trazia das trevas para a luz.

Ele não parava no meio do caminho para olhar o que os outros faziam ou diziam: Os políticos, os religiosos, os rebeldes...

Mas parava num poço para Se revelar a uma mulher sofrida, e salvá-la; para curar um cego de nascença, ia ao encontro para ressucitar um morto, para libertar um possesso; para perdoar um pecador; mandou que atirasse a primeira pedra na prostituta, aquele que não tivesse nenhum pecado, fazendo com que cada um reconhecesse seu próprio estado... 
Hoje continua fazendo o mesmo.

A Palavra nos ensina que não é para desviar nem para a esquerda e nem para a direita. Mas olhar direto, para frente, para o alvo; e desviar nosso pé do mal.

E neste momento, sabemos se olharmos para os céus e buscar a misericórdia de quem pode resolver todos os problemas da humanidade... Creio que seremos atendidos.

Saudades dessa Igreja!...
Ainda que fora não a encontremos com facilidade. 
Encontramos em partes, numas atitudes, sim; noutras, não. Não esperemos, contudo, perfeição do homem falho e pecador. Perfeição somente no Senhor Jesus. 

Falha e pecadora, com humildade quero buscá-la dentro de mim,  buscando pelo primeiro amor... Porque a Igreja somos nós. E oremos para  que a Igreja aqui na terra continue buscando caminhar nos passos de Jesus.

“Não confiem em príncipes, em meros mortais, incapazes de salvar. Quando o espírito deles se vai, voltam ao pó; naquele mesmo dia acabam-se os seus planos.
Como é feliz aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó, cuja esperança está no Senhor nosso Deus.”
Salmos, 146,3-5.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Retrospectiva do ano de 2019...


O que dizer de um ano onde uma nuvem adormecida acordou? Em se tratando de país, uma nuvem de incompreenções, de declarações vergonhosas, violências; onde a humanidade das pessoas deu lugar  ao desamor sem nenhum constrangimento... Um ano, na verdade, dos absurdos.

Pois é, ficarei então com o meu 2019...

Há! este ano, que ainda não terminou...

Este ano... tenho muito a agradecer a Deus.
Andando na contramão dos acontecimentos gerais. Para mim, ou melhor, para nossa família foi até um ano bem ameno. Um ano de pequenas conquistas, mas que se tornam grandiosas, por atender  grandes e antigos anseios nossos...

Nos ajoelhamos mais para falarmos com o nosso Senhor e tivemos resultados fantásticos.
Nos aproximamos mais dEle...

Descobri que a Palavra de Deus é a única eficaz para nos atender no mais íntimo de nosso ser e querer, que nos livra de nossos temores, que nos aconchega naquele momento difícil, nos dá a resposta certa quando ninguém nos vê,  quando nem mesmo nós nos compreedemos.

Cidinha, mas você não sabia disto antes? Não, não sabia, porque procuramos resolver as situações como aprendemos ou por nós mesmos. Apesar de estarmos sempre buscando ao Senhor... não buscamos com uma entrega de nós mesmos de verdade... com uma confiança de que somente Ele está no controle de tudo.
Foi tudo de bom que aprendi.

Vi meu marido orar. Ele que sempre estava ali calado quando parávamos para falar com Deus... O vi expressar, no horário do almoço, à noite antes de dormir... Veio lembranças de minha mãe, que dizia... “Deus responde quando um homem ajoelha e ora, porque o homem só fala algo, quando vem da alma, fala com sinceridade e com a razão”...  Diferente de nós mulheres que geralmente, pedimos na angústia e na emoção... Eu pensava: Deus vai nos responder...
E respondeu em tudo.

Descobri que não devemos deixar que outros digam o que devemos ou não fazer. Não podemos nos deixar ser manipulados em lugar algum e nem por ninguém. Jesus já nos libertou, para sermos livres... Não para vivermos amendrontados. Temos que saber discernir.


Há! Fiz minha festa de sessenta anos... Meu Deus! Foi tudo de bom. Encontrei amigos antigos e fizemos a festa... amei!

Dentre tantas coisas... caminhamos, avançamos, fizemos pequenas reformas em nossa casa, ajustamos... 
Resolvemos situações para clientes, alguns com grau de dificuldade grande... e nos sentimos realizados, felizes com suas alegrias e realizações... E com o nosso trabalho...
Iniciei uma nova pós-graduação em Direito Prevideciário, para nos adequarmos, diante de grandes mudanças advindas da Reforma da Previdência, visando uma melhor prestação de serviços, almejando a excelência...

Resolvemos questões antigas, que nos tirou grande peso... Ufa! muito feliz.
Enfim, fizemos um pouco do muito que faremos...

Passamos um ano inteiro sem ver pessoalmente, nossa filha Carla pela primeira vez, apesar de falarmos todos os dias...
Passei longos dias, ou melhor, alguns meses com meu filho "número 1" rsrsrs na Flórida, mais expecíficamente, em Miami Beach, amo!... E outros meses com meu marido e meu filho "número 2" rsrsrs, no Brasil ...Tudo de bom!...

Não vou dizer que choramos, que ficamos ansiosos, angustiados, saudosos, que perdemos muito tempo lamentando algo e discutindo sobre política e outros assuntos (que a meu ver, não nos levaram a nada)... Há! não vou dizer ...  Isso não! Isto é perda de tempo... rsrsrs

Vou dizer, que tudo isto aconteceu, mas que no frigir dos ovos, estamos de pé, para o próximo ano.  Como dizem: "Entre machucados e feridos, salvaram-se todos".
Certa de que não devemos esperar nada, nada de políticos ou de quem quer que seja... Olhar para frente e seguir...

E, já com o nosso projeto/2020 escrito, para levar ao Altar, na virada.
Apresentá-lo ao nosso Deus e agradecê-lo por tudo.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Morrer vivo?! Como assim?!!!


Eu quero morrer vivo...
É isto mesmo que ouvi de um cliente. Ele todo feliz por ter sido comtemplado com o seu direito  de se aposentar, com  seus bem vividos 68 anos...
Me disse: Eu quero morrer vivo. Heim?! Morrer vivo?... Sei que para morrer tem que estar vivo rsrsrs, mas... morrer vivo?!

Aí, ele sorridente explicou sua filosofia: Eu tô cansado de ver as pessoas, ainda jovem reclamando de dor aqui, dor ali... sem poder caminhar direito, e eu indo para sessenta e nove anos trabalhando, com força e  com garra e muita coragem para continuar... Quando eu morrer, quero morrer com força, garra e vivo. Rsrsrs

E não é que ele está com a razão!...

À tardinha olhei para o sol. Já havia feito tantas fotos do por de sol... Em Miami Beach, em Governador Valadares, em todos os lugares quando tenho a oportunidade faço foto do por do sol. Me chama a atenção imensamente, é maravilhoso, é explêndido, Meus olhos não se cansam de ver... é
deslumbrante – criação de Deus.

Pensei, o sol morre vivo...

O sol, à medida que vai se pondo, seus raios são mais fortes e vibrantes, não passa despercebido aos nossos olhos, Como dizendo: Olha eu aqui, estou mais forte como no momento da minha maior força... E vai deixando sua marca aos milhares de olhares que buscam o melhor ângulo...
À tardinha é o horário que mais voltamos o nosso olhar para ele. Que lindo!
Assim temos que lutar para ser.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Uma declaração aos amigos dos anos 80..


Postando a minha fala aos amigos dos anos 80, no reencontro de 12/10/2019, quando da comemoração do meu aniversário...

"Estou muito feliz e honrada, primeiramente por Deus ter me concedido o privilégio de completar 60 anos, com fé, com saúde, com sonhos e realizações, podendo agradecê-Lo ao lado da minha família e dos grandes amigos de outrora e de agora...

Pessoal me sinto bem à vontade para falar um pouquinho com vocês, pois aqui se encontram  pessoas que já me ouviram muito, na época um pouco distante, em 1981, 82 e 83...Pessoas que fizeram parte do Grupo Jovem do Bairro Altinópois, os quais eu tenho o maior prazer em reencontrar. Muitos deles, não estão presentes aqui. Perdemos o contato; outros estão fora do país e alguns nos deixaram...

 Completei 60 anos em agosto, estava viajando, mas sabia que não poderia deixar esta data passar em branco, por isto marquei para agora.
Por causa de mim? Não! Por causa dos 60 anos? um pouquinho por isto, pois acho a data muito forte. Uma data bonita e que até assusta...

Mas principalmente para agradecer a Deus por tudo, pela vida, sobretudo por ser Ele o primeiro em minha vida,
e depois, porque creio que cada pessoa aqui presente, que fez parte daquele grupo, sentia esta necessidade, desse reencontro...

Não raras vezes que eu encontrava com um, já vinha aquela perguntinha e uma afirmação: Vamos fazer um reencontro?!...Daquele pessoal?!...
Nunca deu certo. Aqueles momentos, aqueles dias ou melhor aqueles anos foram muito marcantes para muitos, apesar de terem sido pouco tempo. Foram marcantes e felizes no nosso pensamento da época. Foram tão fortes, que aqui estamos com muita alegria prestigiando este reencontro. E sabem por que?... 

 Vou expor aqui um pensamento meu:
Vim de uma cidade do interior, Virgolândia, e eu tinha muitos anseios, muitas expectativas de vida e muitos sonhos. Sonhava acordada em viver um outro mundo. Algo gritava dentro de mim. Eu queria mais. Mas era tolhida pelas circunstâncias...

Quando mudamos, a família toda para Governador Valadares, ainda fiquei um tempo com a sensação de que estava presa a algo ou que faltava algo, estava com 15 anos e deixei para trás tudo que eu havia construido; mas a construção eram as amizades de infância e de adolescência, amizades verdadeiras. Sofri muito...  Sofri muito com essa ruptura, custei muito para me acostumar.

Já em Governador Valadares, quando meu pai disse que iríamos nos mudar para o Bairro Altinópolis, fiquei muito assustada e aflita, a gente morava no Bairro de Lourdes e pensava que o Altinópolis era perigoso e tudo mais... Todas aquelas conversas que o povo falava do bairro...rsrs

Pessoal!... Que surpresa! Me encontrei ali naquele bairro e naquela rua, Rua da Várzea. Pessoas simples, amigos sinceros, pessoas lindas, pessoas generosas... Como aquelas que havia deixado na minha cidade do interior...

Muitos jovens...
Aí tudo começou!

Pensei e falei com dois amigos. Que o bairro tinha muitos jovens e que estavam dispersos e pensamos em ajuntá-los. Saimos com folha de papel e caneta anotando os nomes e convidando para uma reunião... Pessoal a gente não tinha noção do que estávamos fazendo, para a nossa surpresa apareceram umas 50 a 70 pessoas... 
Wou!!! Foi lindo demais.

Aqueles jovens estavam sedentos de algo, queriam se expressar e não sabiam como, eram alegres, queriam ouvir tudo o que tínhamos para dizer. E a gente passou a falar de amor, de resposabilidade, de alegria, de comprometimento... E a gente era muito simples e não tinha nenhuma experiência. E a gente não queria mais ficar longe um do outro. Nos reuníamos para conversar, para cantar, para rir, para orar, para ajudar, para trabalhar, para não fazer nada...

Fazíamos eventos, Competições esportivas. E em tudo fazíamos a diferença, ganhamos troféus, medalhas... abraços, sorrisos...

A gente só queria estar juntos... E não saímos mais do bairro. Todos os dias, estávamos juntos. A reunião oficial era domingo às 4 horas. Mas os outros dias era na porta da minha casa ou na porta de outro amigo...

Era tudo muito especial, estávamos vivendo algo novo. A gente fazia sem copiar,  iventavámos, criávamos e tudo dava certo...

O meu amigo Josué, chegava em minha casa todo domingo de manhã, chegava e perguntava com aquele vozeirão: Dna Maria cadê a Cidinha?!... e eu com aquele sono gostoso de domingo...

Meu Deus! Trabalhava a semana toda, domingo de manhã, eu queria descansar, a reunião do grupo era a tarde e íamos à igreja a noite.
Pessoal eu virava para o outro lado e falava, não vou levantar, vou ficar quietinha. E ele conversando com minha mãe. E eu ouvindo... Até que não aguentava, a conversa era tão boa e tão engraçada, e eu perdia todo aquele sono da manhã, levantava e me juntava a eles... No outro domingo era a mesma coisa...

Era tão lindo o nosso grupo, que pessoas de outros bairros se juntavam a nós...
Até que cada um foi caminhando o seu caminho...
Ficamos parados no tempo? De jeito nenhum cada um seguiu o seu caminho e está construindo sua história... Tivemos percalços? Sim cada um aqui tivemos lutas, vencemos umas, outras por vencer... Aprendemos, crescemos, sorrimos, choramos...

Abro aqui um espaço para dizer algo que me deixou muito feliz: Um amigo nosso, chegou no meu trabalho, muito tempo depois, para fazer algo... Ele me confessou que tinha algo lindo a dizer para mim e para o Josué.  E que tinha muito a agradecer a Deus em primeiro lugar, depois a mim e ao Josué. Eu perguntei: agradecer, por quê? Eu não fiz nada!...

Ele me disse que estava novo, uns 15 anos na época, que estava enveredando pelos caminhos das drogas. Todos os dias ele se encontrava com aqueles  “amigos”. Mas quando foi convidado para se unir nós, ele se sentiu tão bem, se encaixou ali, se sentiu valorizado e saiu daquele mundo... Hoje estava casado, tinha filhos, família, e profissão...
Eu fiquei tão feliz. Se o que fizemos, Deus usou para ajudar um jovem que seja, já valeu a pena o que fizemos. Mas creio, que não foi somente ele que pôde contar esta linda experiência para nós... Todos nós aprendemos e levamos para nossa vida experiências...

Moral. Toda semente plantada com amor, com sinceridade e com justiça, Deus dá a colheita. Que lindo!.. Que façamos sempre o bem.

E aqui estamos para nos abraçar, conversar e sentir este carinho que temos um pelo outro.
E eu particularmente, aprendi muito e ainda aprendendo. Firme no caminho que por força das cincustâncias encontrei, que para mim foi a única opção para que pudesse me sentir livre, pés no chão e feliz, junto à minha família, apesar de todas as lutas pelas quais passamos, e pelas que provavelmente passaremos. Convicta que não há outro, Somente Ele o  Senhor Jesus, O Caminho, a Verdade e a Vida!

Por isto Iremos ouvir uma canção que fala um pouco desse momento, do Seu cuidado, do amor e do meu encontro com Ele: Supe que me amabas de Marcela Gandara. “Soube que me amavas”.https://www.youtube.com/watch?v=AB2x_DII3W0

Após fiquemos à vontade. Aproveitemos esses momentos."